Crítica: Vince Staples-Vince Staples


 

 Vince Staples

Vince Staples

Released July 9, 2021

Estilo: West Coast Rap




      





    Vince Staples é o quarto disco de estúdio do rapper norte-americano Vince Staples de Long Beach, CA. O álbum autointitulado de 2021 retoma aspectos importantes de dois projetos anteriores a esse: “Prima Donna” e “FM”. Ambos os projetos carregam algo que particularmente me chama muito atenção na trajetória do Vince Staples. Ambos possuem VERDADE. Ainda que o projeto “Big Fish Theory” não tenha sido meu projeto preferido, ele é ritmicamente mais experimental que os demais projetos e possui originalidade, sim. Porém, neste último projeto de 2021, para mim, Vince Staples conseguiu superar todos seus projetos anteriores de maneira virtuosa. Aqui vemos um Vince Staples amadurecido, tanto liricamente quanto ritmicamente falando. O humor afiado se combina com uma performance agressiva, direta ao ponto e contumaz. O néctar concentrado dos projetos anteriores de maior consistência de sua carreira. Dessa vez sem malabarismos nem truques instrumentais; samples crus e baterias secas dão o tom underground da obra ao melhor estilo westcoast que o artista domina muito bem.

Eu confesso que aguardei esse disco ansiosamente logo após o release da Law of Averages. Logo de cara deu para entender onde Vince Staples queria chegar com esse disco e de onde ele partiu. Suas memórias de Long Beach, marcam um passado violento. Prova disto, que Are you with that traduz com precisão em poucos versos e muita riqueza poética, a dor, a falta, as cicatrizes e a condição de constante vigilância perante um futuro incerto:

(…) Nigga better hush (Hush), remember growin’ up,
All I wanted was to be a thug,
Wanted me a plug (Plug) to get a lil’ bread,
Shoot a couple niggas in the head
 (…)

Ademais, as brincadeiras com as palavras é genuinamente sagaz. O vocal languido dá o timbre sujo aos versos enriquecendo assim a narrativa. De modo que tudo faça bastante sentido. Inclusive, toda essa atmosfera faz com que nos conectemos com o próprio passado do artista de maneira nostálgica. Como se nos faltasse alguma coisa muito importante. O que também vale destacar a partir disto, é que, Vince Staples aqui não está interessado em retocar suas memórias com tintas coloridas, pelo contrário. Esse projeto percorre suas lembranças tais como os fatos. Tristes. Fazendo isso de maneira madura, sóbria e empolgante, Vince Staples nos entrega uma performance impecável ainda que humilde. Seu último álbum não pretende se vender como um novo Chronic ou coisa do tipo. O rapper aqui simplesmente percorre a poesia de maneira introspectiva honestamente. Mostrando força na simplicidade, indo direto ao ponto sem diminuir o estilo. Novamente, ocorre o contrário. O estilo só melhora. Melhor lapidado e melhor treinado, o disco de Vince Staples em 2021 entrega a técnica pontual e precisa sem cair das nuvens.

Instrumentalmente falando, foi de longe o mais simples. Com certeza. Mas ao mesmo tempo, foi para mim o mais sofisticado. Há ainda outros patamares a se alcançar a partir de agora, sem dúvidas. Porém, até este nível eu sinto que a arte de Vince Staples atingiu um ponto de entropia no qual toda sua arte tende a melhorar caoticamente – assim eu espero. Eu poderia tecer mais alguns elogios e alguns pontos fracos agora, porém, eu fiz um vídeo (bem fureca e meia boca) dissertando dez minutos sobre esses pontos e sinceramente não pretendo me repetir aqui (nem divulgar o vídeo). Fecho apenas essa review escrita para me certificar do registro oficial. Ademais o projeto do Vince Staples tem sim pontos não tão fortes, mas como eu disse, me parece que ele ainda irá atingir outros patamares futuramente. Mas o resumo da obra leva um 8 clássico (ou brilhante) certamente. Toda sensação de nostalgia, com a atitude suja e bem humorada de Vince Staples ganhou meu coração esse ano. A lírica, os Samples… A linha de baixo da Sundown Town junto com a participação da Fousheé na Take me Home marca o suco do clássico. Sem mais. Trabalho honestíssimo e belo. Parabéns aos envolvidos, Kenny Beats e Reske. Vida longa.

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