Lógica onírica e etc.

  

Contudo, este conhecimento ou, a forma como acessamos tal conhecimento, está diretnte ligado à percepção do homem. Desta forma, antes que se pudesse admitir qualquer verdade, a natureza da percepção se poria em cheque. Portanto, o exame dos critérios que utilizamos para formar juízos sobre o mundo, culmina antes num exame sobre a operação perceptiva do sujeito.  



Neste primeiro momento, irei me ater ao pano de fundo que propicia o nascimento das teorias dos dados dos sentidos. Levando em consideração os pressupostos teóricos do empirismo como classifica Robinson (e.g., Classical or empiricist conception of sense-contents) intento demonstrar a seguir, como essa concepção clássica do empirismo, i.e., Conteúdos dos sentidos, está essencialmente acordada com as características do que chamamos atualmente de Dados dos sentidos. E para que essa correlação possa ser adequadamente endereçada, deve-se compreender os Conteúdos dos sentidos – Dados dos sentidos – a partir de cinco condições necessárias postuladas por Robinson (Robinson, 1994): 

O conceito de “Dados ou – Conteúdos – dos sentidos”, é compreendido como: 

(i) coisas das quais estamos diretamente conscientes.

(ii) Que essencialmente são não físicas.

(iii) Suas ocorrências são logicamente privadas ao sujeito particular.

(iv) Possuem qualidades sensíveis padrões, como forma, cor, som, ‘experiências” – Feel – de diversos tipos. 

(v) Não possuem intencionalidade intrínseca; ou seja, os objetos da percepção não possuem propriedades “adicionais – (Beyond)” além de suas qualidades sensíveis. Que por sua vez não se referem além de si mesmas. 








Talvez agora, pareça útil pensar na estranha teoria dos efluentes como uma tentativa – não bem demonstrada – de resolver essa tensão. "The active mental contribution is represented as a physical outflow, and the experience is somehow caused ‘out there’—if not where the object perceived is located, at least, as a compromise, halfway there and not in the eye or the brain." (Robinson, 1994). Esta assunção teórica se compromete em afirmar que a experiência não ocorre no olho, tampouco no cérebro. Porém, essa tentativa de conciliação – integrar em uma narrativa puramente material* o papel ativo da consciência com a ação física do estimulo – parece bastante inadequada. Pois, falha empiricamente por não prover evidências desse fluxo vindo dos sentidos; e falha conceitualmente por não conseguir explicar como uma colisão de partículas constitui uma experiência. Neste ponto, esta pretensa solução dada por estes filósofos gregos parecer ser o resultado da incompreensão dessa sutileza nos níveis causal e epistemológico. Uma forma de superar esses dilemas tem sido dizer que, o processo físico causa no sujeito uma representação ou, imagem do mundo externo que por sua vez a interpreta* – representação – como sendo uma propriedade, ou como algo que se projeta do mundo. 

Esta é, de maneira aproximada, a teoria entendida como teoria representativa da percepção*, que é vista em Locke e é adotada por grande parte dos empiristas. Para que nós possamos pensar em um modo de resolver o problema, esta concepção possui duas características que podem ser entendidas como suas deficiências; em primeiro lugar, uma abordagem dualista parece inevitável, visto que, o processo pelo qual o sujeito está sob influência, é em princípio, um processo simplesmente físico enquanto que, a projeção e interpretação das imagens são puramente mentalistas: E isto parece mudar drasticamente o rumo da investigação do processo perceptivo. E o segundo ponto importante, é que a projeção ou a intepretação das imagens internas não alcançam o mundo de fato, apenas aparentam fazê-lo. 


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